Elas no empreendedorismo

LEOVEGILDO DA CRUZ

NUMA sociedade em que as oportunidades não são iguais, o empreendedorismo tornou-se alternativa das mulheres face às limitações estruturais. Em mercados informais, oficinas domésticas e plataformas digitais, elas levantam-se todos os dias para criar, gerir e sustentar pequenos negócios, com grande impacto social.

O que começa muitas vezes por necessidade (uma renda para alimentar os filhos, pagar a escola ou complementar o salário) transforma-se numa fonte de emprego de várias mulheres. Mesmo enfrentando dificuldades no acesso ao crédito, para investir em negócios mais sólidos, formação técnica e redes de apoio, muitas conseguem desenvolver actividades sustentáveis e gerar postos de trabalho.

O ambiente doméstico, frequentemente visto apenas como espaço de cuidado, torna-se também um campo fértil de inovação. Entre panelas, máquinas de costura, maquinetas para fabrico de sabões caseiros, artes e estratégias de venda “online” surgem ideias que movimentam economias locais e revelam o potencial criativo e produtivo das mulheres, mesmo em contextos adversos.

Apesar dos desafios que ainda se impõem, entre os quais o preconceito, a divisão desigual do trabalho doméstico e a ausência de políticas que reconheçam o valor do trabalho feminino na economia informal, mesmo assim, elas ocupam espaços, arriscam, lideram e constroem trajectórias de sucesso com base nos desafios do quotidiano.

Em várias comunidades, o exemplo de uma mulher que empreende torna-se inspiração para outras e assim se formam redes de apoio, grupos de poupança rotativa e iniciativas solidárias, que reforçam o poder da união.

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