FESTIVAL MAKOTI: Uma montra da tradição africana

Photos: Féling Capela

NÁGEL MUNGOI, EM EZULWINI

UMA verdadeira montra da cultura e tradição africana é como se pode definir o Festival Makoti, um dos mais importantes do vizinho Reino de Eswatini.

O Makoti apresenta-se como um espaço de celebração da cultura bantu nas suas diversas formas como línguas, religiões e artes performativas. Demonstra que, apesar das fronteiras, as histórias das nações da região austral de África, com destaque para Moçambique, Eswatini, Lesoto e África do Sul, cruzam-se através da arte e dos valores tradicionais seculares.

A edição 2025 teve lugar no fim-de-semana. O seu ponto alto foi uma rica interacção cultural no sábado, com apresentações musicais e de dança, onde os artistas promoveram uma celebração dinâmica da herança comum e das diferenças que enriquecem a região.

Do lado moçambicano, o projecto Moz Fire Sound “electrizou” o público com instrumentos tradicionais como mbira, djembé e outras percussões usadas popularmente nas comunidades. Interpretando canções em português, inglês, xichangana e outras línguas locais, o grupo criou uma “ponte” entre o tradicional e o moderno, destacando a importância da preservação cultural com temas como “Mimoya”, “Masseve” e “Ubuntu”.

“O intercâmbio permite-nos colher experiências sobre a manutenção dos traços identitários africanos. Estamos num país onde ainda se sentem fortemente os ritmos, os trajes e os costumes ancestrais. Esta experiência vai enriquecer o nosso projecto que visa promover os ritmos tradicionais moçambicanos na juventude”, afirmou Ney Ney, membro do grupo.

A aproximar-se da meia-noite, a cantora moçambicana Lizha James subiu ao palco para entreter o público com os seus clássicos “A Hi Kineni Maxaka”, “Nuna Wa Mina” e “Já Não Me Dás Valor”.

“As mulheres africanas são fortes, talentosas e devem exibir os seus traços culturais de forma independente. É uma honra cantar para um público tão diverso, mas unido através dos costumes tradicionais”, afirmou.

Para além das actuações musicais, Lizha e os seus bailarinos fizeram uma apresentação de danças moçambicanas como marrabenta, xigubo, pandza, kadoda, entre outras que marcam a história cultural do país.

Rebeca Malope, ícone da música gospel sul-africana, destacou-se com a interpretação dos seus sucessos “Mota Wami” e “Ukuzenza”, e também cantou “One Love (People Get Ready)”, de Bob Marley (1945–1981), promovendo uma mensagem de paz, amor e união entre os povos.

Empoderar a mulher

O FESTIVAL Makoti tem como objectivo principal o empoderamento da mulher, oferecendo-lhe espaços de destaque para performances musicais e de dança, bem como para a exposição da gastronomia e do património cultural.

Celebrando a jornada de amor, unidade e orgulho pela tradição, o evento reuniu ao longo dos anos famílias, amigos e comunidades para honrar a identidade africana, destacar talentos da África Austral e criar memórias duradouras.

O festival foi inaugurado por Stanley Dlamini, presidente do Conselho Nacional das Artes e Cultura de Eswatini, que sublinhou a importância da união entre os povos, especialmente numa era em que a globalização tende a sobrepor-se aos costumes tradicionais.

“Esta festa é uma oportunidade para renovar os laços históricos que nos unem, promovendo ao mesmo tempo a nossa herança e tradição. Cada mulher e cada artista carrega o seu país para o palco, mostrando o melhor da sua nação”, declarou.

Participaram ainda artistas da região, como Ntate Stunna e o grupo gospel Shongwe Ni Kupuka. DJ Superman, de Moçambique, foi um dos responsáveis por encerrar o espectáculo no sábado, enquanto a cantora Sheila Mahoze actuou no último dia do festival.

Entre as personalidades moçambicanas presentes, destaca-se Cecília Napido, directora do Centro de Documentação e Formação Fotográfica (CDFF), o advogado Custódio Duma, antigo presidente da CNDH, e actual director do projecto Duma’s Boot Camp.

©Féling Capela

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