Um ano sem “Baila Maria”

NÁGEL MUNGOI

NA segunda-feira assinalou-se um ano desde a morte de Chico António, um músico cujo percurso foi fundamental na promoção dos ritmos tradicionais moçambicanos no panorama nacional e internacional.

O artista deu o último suspiro aos 66 anos no Hospital Central de Maputo (HCM), vítima de doença, depois de uma semana internado. Assim chegou ao fim uma jornada repleta de sucesso e que valeu êxitos como “Baila Maria”, “Antlissa Maria” e “Wodza”.

Estas e mais canções conquistaram o público e levaram-no a palcos de diversas regiões de Moçambique e além-fronteiras. Chico teve a oportunidade de realizar digressões em países como Zimbabwe, Guiné Conacry, Cabo Verde, Inglaterra, Holanda, Itália, França, Portugal, Suécia, Noruega e Dinamarca.

No entanto, o reconhecimento que alcançou e a popularização da sua obra tiveram uma génese humilde. Nasceu no distrito de Magude, província de Maputo, em 1958, onde inicialmente parecia destinado a pastor de gado. Contudo, a vida tomou outro rumo aos seis anos, quando fugiu para a cidade de Maputo após perder metade da manada do pai.

Na capital, tornou-se menino de rua e chegou a ser preso pela polícia colonial. Permaneceu encarcerado durante nove meses até ser integrado num orfanato, onde teve a oportunidade de iniciar os estudos.

O seu destino artístico começou a desenhar-se em 1967, quando ingressou no Colégio São José de Lhanguene. Aos nove anos tornou-se solista de um coro composto por 50 pessoas, oportunidade que lhe permitiu aprender a tocar trompete, ler partituras e cantar solfejo.

Ao longo dos anos, fez parte de vários conjuntos musicais como ABC-78, Grupo Instrumental N.º 1 de Música Ligeira, Rádio Moçambique (Grupo RM) e Orquestra Star de Moçambique, onde conheceu grandes músicos, como Alexandre Langa, Sox, Alípio Cruz (Otis), José Mucavel, José Guimarães e Mingas.

Em 1990, após vencer o concurso “Descobertas”, da Rádio França Internacional (RFI), Chico António teve a oportunidade de estudar Música durante dois anos em França. Quando regressou a Moçambique passou a dedicar-se à investigação da música tradicional, procurando a fusão com os sons modernos. Daquele trabalho resultou a criação da Amoya Studio and Art Gallery (ASAGA) e inúmeras colaborações musicais em produções audiovisuais e teatrais.

O seu primeiro álbum, “Amoya”, foi editado em 1991 e destacou-se pela fusão de instrumentos tradicionais africanos com os modernos, procurando incentivar a nova geração de músicos a explorar as raízes culturais moçambicanas, enquanto inovava na música.

Em 2014 lançou o disco “Memórias”, com 15 faixas, que seguiram a sua busca pela valorização da música tradicional. Em 2018, em reconhecimento do seu trabalho de promoção e valorização da cultura moçambicana no mundo, o Município de Maputo atribuiu-lhe o Prémio Carreira.

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