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EDITORIAL

Por Jornal Notícias
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O ECONOMISTA Felisberto Navalha, empossado, ontem, pelo Presidente da República, é o nome que se segue na governação do Banco de Moçambique. Assume o cargo em substituição de Rogério Zandamela, que, durante os seus dois mandatos de cinco anos cada, teve de lidar com adversidades que, mais do que conhecimento, exigiram coragem no complexo panorama macroeconómico do país.

Navalha é conhecedor profundo não só da casa, que vinha servindo como administrador, como das adversidades enfrentadas pela economia nacional e as tensões e pressões estruturais, a exemplo, nestas, das reformas rígidas empreendidas para conter a inflação.

A gestão cambial e a escassez de divisas são outra da herança do novo governador, que é assim desafiado a dar resposta aos anseios da economia política de Moçambique.

Uma mudança na estrutura directiva do Banco Central desperta sempre as mais variadas expectativas, mormente quando se deseja mudanças para melhor. Longe de torcer o nariz para o legado recebido, está-se perante a sede por dias melhores numa economia que é mais de queixumes do que de produção.

O Banco de Moçambique tem sido forçado a lidar mais com a mitigação de adversidades, algumas impostas por factores naturais e humanos alheios à planificação dos decisores nacionais, como os cíclicos choques climáticos ou os acontecimentos de conjuntura geopolítica global a que o país não está imune.

A governação de Navalha deverá, assim, guiar-se para respostas mais pragmáticas e, ao mesmo tempo, equilibradas para uma recuperação célere dos choques que a economia vem enfrentando nos últimos anos, como os efeitos dos eventos climáticos extremos, a crise que se seguiu às eleições de 2024 ou as instabilidades económica, política e militar no panorama internacional.

O pragmatismo a que nos referimos inclui, por conseguinte, a adopção de medidas que estimulem, de facto, a economia doméstica. No cenário actual, os empresários e as famílias queixam-se das altas taxas de juro.

A disponibilidade de divisas, sobretudo para importações, também está no centro do descontentamento, para o que deve, outrossim, ser prioritário observar pelo novo governador e equipa. No entanto, a oferta de moeda convertível não depende necessariamente da vontade do Banco Central, mas da dinâmica da própria economia. O país deve produzir para exportar.

Outra preocupação que deve centrar as atenções de Navalha é a relação com os bancos comerciais. Assistimos, nos últimos anos, a uma espécie de paz pútrida entre o regulador e o sector bancário, indiciando a necessidade de clarificação de papéis e, se aplicável, o aprimoramento da disciplina, porque as clivagens só concorrem para perturbar a economia.

Ainda que se assuma que muito foi feito para combater a circulação ilícita de capitais, não é tempo de baixar a guarda. A nova equipa deverá intervir mais contra crimes neste âmbito, apertando o cerco às várias formas de lavagem de dinheiro e ilícitos. Para isso, sugerimos um trabalho mais estreito com as autoridades judiciais, que dão mostras de assumirem o seu papel no combate à corrupção e aos crimes económicos que, amiúde, arrastam para a reputação do sector financeiro.

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