Autores do “TSEVELE” tiveram que ganhar confiança para revelar histórias íntimas

A representante dos colaboradores da obra “TSEVELE: Epistemologias da Moçambicanidade”, Vanila Amadeu, partilhou na ECA os desafios enfrentados pelos mais de 100 jovens autores para documentar as vivências moçambicanas.

Vanila, natural e residente de Inhambane e fruto da ECA, onde se licenciou em jornalismo, orientada por Alvo Ofumane, disse que representar todos os autores, disse que o maior desafio foi construir confiança com as fontes para que aceitassem revelar histórias que nem à família contariam, sabendo que seriam publicadas para o mundo.

Para ilustrar, contou o caso da colega Natukunyane que para escrever sobre o “Uputsu” teve que comprar e consumir a bebida em roda, como condição imposta pela fonte, para que a história pudesse ser contada.

Outro exemplo foi a história do “marido da noite”, em que uma mulher confiou o seu relato íntimo e, após a publicação, outra mulher que vivia a mesma realidade identificou-se e entrou em contacto, criando-se uma rede de apoio entre elas.

A autora admitiu ainda que houve recusas e cobranças, como de uma cozinheira da Beira que se negou a revelar a receita de um prato por medo de perder a exclusividade, mas sublinhou que a repercussão tem sido encorajadora, com textos já citados por investigadores como Luca Bussotti, servindo como fonte oficial sobre Moçambique.

Legenda: Vanila Amadeu, representante dos colaboradores

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