A circulação de um boato sobre a alegada presença de “chips” nocivos em redes mosquiteiras distribuídas gratuitamente pelo Governo está a gerar medo e desinformação em comunidades da província de Cabo Delgado, levando à fuga de famílias das suas casas e à queima de um dos principais instrumentos de combate à malária.
O alarme instalou-se entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira, quando mensagens difundidas através de redes sociais e chamadas telefónicas começaram a alertar, sem qualquer base científica, para uma suposta contaminação das redes mosquiteiras de acesso universal.
Em consequência, várias famílias abandonaram as suas residências durante a noite, receando possíveis efeitos à saúde. Em alguns pontos da província, o pânico evoluiu para a destruição deliberada das redes, muitas delas recentemente distribuídas no âmbito das campanhas de saúde pública.
As autoridades sanitárias reagiram prontamente, classificando as informações como falsas. Em entrevista ao “Notícias Online”, o ponto focal do Programa de Controlo da Malária no Serviço Provincial de Saúde de Cabo Delgado, Ibraimo Francisco dos Santos, esclareceu que não existe qualquer fundamento para as alegações em circulação.
Segundo explicou, as redes mosquiteiras são fabricadas com materiais têxteis e impregnadas com insecticidas em quantidades controladas, seguras para os seres humanos e eficazes apenas contra os mosquitos transmissores da malária.
“Não há, em nenhum momento do processo de produção, a incorporação de componentes electrónicos. Trata-se de um rumor sem qualquer base científica”, afirmou.
O responsável alertou ainda que a destruição ou o abandono destes meios compromete seriamente os esforços de prevenção da malária, uma das principais causas de doença e morte no país.
Os efeitos do boato fizeram-se sentir com maior intensidade na vila de Chiúre, onde o clima de medo alterou significativamente a rotina das comunidades.
A administradora distrital, Isaura Máquina, confirmou que o episódio teve impacto directo nas actividades económicas locais, com muitas famílias a deixarem de frequentar as suas machambas e outras ocupações geradoras de rendimento.