LUCAS MUAGA
QUANDO não se faz uso de determinada coisa, ela se estraga rapidamente. Este terá sido o pensamento do actor e encenador Joaquim Matavel, quando, há alguns anos, soube que o Cine-Teatro Gil Vicente, um dos mais icónicos da capital moçambicana, seria completamente encerrado para requalificação.
Anos se passaram e o Gil Vicente continua encerrado e degradou-se mais ainda. Não há sequer perspectiva de reabertura, situação que fez Joaquim Matavel recordar-se do seu aviso.
“…era uma questão de gestão de espaços. Na altura, que não me deixem mentir, teríamos dito que fechar completamente o Gil Vicente não era a solução. Podemos olhar para a biologia, é a lei do uso e desuso”, disse o artista num fórum cultural realizado há dias no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.
Recorda-se que naquele espaço estava sediada a associação cultural Girassol, por si coordenada e responsável pelo Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), o maior e mais antigo do país, com mais de 20 edições realizadas.
“Podemos dizer que o Gil Vicente é um caso perdido, não gostaria de dizer isso, mas o Girassol, dentro desta parceria com o município, ficou muito tempo no Gil Vicente. E é com muita dor que a associação perdeu todo o seu material naquele espaço”, contou, acrescentando que o cine-teatro “hoje não se aconselha pelo estado em que está”.
Recentemente, o município de Maputo, através do pelouro de actividades económicas e turismo, publicou um anúncio de concurso de parceria público-privada para a reabilitação do Gil Vicente.
“O investimento necessário para garantir a reabilitação pretendida, deverá ser integralmente realizado pelo parceiro, sendo que lhe assistirá como contrapartida o direito de gestão e exploração dos mesmos, dentro dos limites contratuais a definir”, lê-se no documento publicado no “Notícias”.
Inaugurado na sua versão definitiva em 1933, o Cine-Teatro Gil Vicente é um dos espaços mais emblemáticos da cidade de Maputo. É fruto da visão ambiciosa de Manuel Augusto Rodrigues, empreendedor transmontano que chegou a Moçambique no fim do século XIX.
Fotos: Arquivo




