JAIME ABUDO, EXECUTIVO DA AMME: Desejo é formar mais raparigas mas temos limitação financeira

ÁZARA CHIMBWA

A ASSOCIAÇÃO Moçambicana para Mulher e Educação (AMME), que opera na província da Zambézia há 28 anos, interrompeu a concessão de bolsas sociais destinadas a raparigas em situação de vulnerabilidade, devido à redução do financiamento, numa altura em que procura manter outras intervenções nas áreas de Educação, Saúde, protecção e empoderamento. Ao longo da sua actividade, a organização concedeu bolsas de estudo a 336 raparigas vulneráveis ou provenientes de famílias pobres, 36 das quais formaram-se como professoras e duas graduaram-se pela Universidade de Oxford. Outras frequentaram cursos de curta duração em empreendedorismo. Em entrevista concedida ao “Notícias”, o director executivo da AMME, Jaime Abudo, explicou que a organização trabalha igualmente na reintegração escolar, tendo apoiado mais de 1750 raparigas e 1244 rapazes. No âmbito específico da protecção da criança, afirma ter assistido cerca de três mil crianças desde o início das suas actividades. A redução do financiamento teve também reflexos na cobertura territorial. Depois de ter chegado a 16 distritos da Zambézia, a AMME concentra, actualmente, as suas actividades em seis, todos localizados na zona Norte da província.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

NOTÍCIAS (NOT): O que é que a AMME tem feito ao longo destes 28 anos da sua existência?

Jaime Abudo (JA): A AMME é uma organização não-governamental nacional vocacionada para a promoção dos direitos da mulher e da rapariga. Desenvolve acções nas áreas de Educação, Saúde, segurança e protecção.

Começámos por trabalhar em nove distritos da Zambézia e fomos progressivamente alargando a nossa intervenção, em função das necessidades identificadas e dos recursos financeiros disponíveis. Entre as áreas onde desenvolvemos actividades estão os distritos de Alto Molócue, Gilé, Gurué, Ile e Namarrói, na zona Norte, tendo posteriormente a intervenção chegado também a outros pontos da província, como Mopeia, Morrumbala, Nicoadala e Namacurra.

O nosso propósito tem sido contribuir para que mulheres e raparigas tenham melhores oportunidades e possam exercer plenamente os seus direitos. Procuramos, sobretudo, chegar às comunidades onde persistem dificuldades de acesso à educação, informação e aos serviços essenciais.

NOT: Que acções se preconizam em matéria de alcance de igualdade de género na vossa área de actuação?

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