NILTON DIMANDE
A BUSCA por novos padrões de beleza, através da colocação de lentes de contacto para realçar os olhos, tem vindo a ganhar seguidoras e alimentar um negócio informal que coloca em risco a saúde pública, devido ao deficiente manuseio do material.
Trata-se de produtos expostos nas bancas de quase todos os mercados informais, com destaque para Xipamanine, Xiquelene e Zimpeto, na cidade de Maputo, sujeitos à poeira e variações de temperatura, com todos os perigos que tal prática representa.
A actividade envolve, igualmente, a comercialização de lentes a indivíduos sem domínio na sua colocação e remoção, facto que pode resultar em graves lesões na vista e provocar cegueira irreversível.
A falta de conhecimento é ainda mais preocupante para clientes de primeira viagem. A preocupação prende-se com o facto de as utentes terem a obrigação de removê-las, para descanso, o que nem sempre acontece por temerem dificuldades na recolocação.
O novo mercado tem atraído “amadores” e esteticistas sem formação profissional e domínio da língua inglesa, num contexto em que a rotulagem não tem instruções em português, dificultando a compreensão pelos vendedores e utilizadores.
As autoridades sanitárias mostram-se apreensivas com a situação devido ao exercício informal da actividade, isto é, sem licenciamento, exposição da região ocular à bactérias, com potencial para deixar cicatrizes e causar úlceras profundas.
A médio e longo prazos, há receio que o Sistema Nacional de Saúde fique pressionado, num contexto em que o número de oftalmologistas continua incapaz de responder aos problemas oculares prementes, incluindo a catarata, glaucoma e erros de refracção.
Outrossim, porque os pacientes com patologias causadas pelo mau uso de lentes deve ser assistido em carácter de urgência, a lista de espera para procedimentos cirúrgicos poderá crescer e comprometer a qualidade e tempo de resposta.
Foto: Celso Macassa