Em “Repórter de Sombras e Esperanças: a fotografia como testemunho da reportagem”, o fotojornalista Carlos Uqueio reúne imagens e reflexões sobre várias realidades dos moçambicanos, algumas delas duras, mas sempre longe do sensacionalismo que, às vezes, domina o panorama nacional da informação. O nosso colega de redacção, ao invés, incentiva respostas concretas aos desafios do país.
Esta é, pelo menos, a apreciação do jornalista Pretilério Matsinhe, que fez a apresentação da obra na cerimónia de lançamento havida quarta-feira no auditório do BCI, em Maputo. Segundo Matsinhe, o livro é composto por imagens que retratam momentos marcantes da história recente de Moçambique através de um olhar crítico, humano e responsável. Ou seja, vai além de um simples registo visual, constituindo-se como um apelo à consciência colectiva.
“Este livro não é apenas um arquivo de imagens, mas um convite à reflexão sobre a responsabilidade que temos enquanto cidadãos e jornalistas”, afirmou.
Segundo o apresentador, a relevância da obra assenta em quatro dimensões essenciais, designadamente o alerta para a acção colectiva face às mudanças climáticas; abordagem sensível às questões da pobreza e do consumo de drogas; valorização da identidade e diversidade cultural moçambicana; e reflexão sobre o papel do jornalismo num contexto de rápidas transformações tecnológicas e sociais.
“Vimos muitas vezes as cidades inundadas, bairros urbanos e suburbanos debaixo das águas e a nossa perplexidade reside no facto de não encontrarmos uma solução para um problema que é recorrente. E Uqueio ao fotografar, como ele próprio escreve, não com a intenção de explorar a dor, mas registar, também nos pede, a todos, esta consciência sobre estes fenómenos”, explicou.
Carlos Uqueio explicou que o seu primeiro livro resulta de 18 anos de trabalho no terreno (que correspondem à sua carreira), marcados por experiências intensas e contacto directo com diferentes realidades de Moçambique e não só.
“Fotografar não é apenas captar imagens, é assumir responsabilidade. Este livro nasce das ruas, dos bairros, dos momentos em que a vida acontece sem aviso e sem encenação”, afirmou.
Para o autor, “Repórter de Sombras e Esperanças” é uma publicação que procura equilibrar a exposição da dor com a dignidade e a esperança das pessoas retratadas.
Uqueio salienta ainda que o projecto representa um momento de maturidade e reflexão sobre o seu percurso, destacando o compromisso de contar histórias com respeito e profundidade.
“O que diferencia esta obra é precisamente esse carácter de testemunho. Não se trata apenas de imagens bem captadas, mas de um percurso longo no terreno, a documentar realidades diversas do nosso país. O livro cruza fotografia e escrita para oferecer não só o olhar, mas também o contexto. E isso transforma-o num registo mais completo da nossa realidade”, disse o fotojornalista.
Fotos: J.Muianga










