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O interesse universal da história da Ilha de Moçambique

Por Jornal Notícias
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AO longo de vários séculos, a Ilha de Moçambique tornou-se um importante ponto de encontro entre diferentes povos e civilizações, reunindo influências africanas, árabes, indianas, persas e portuguesas. O espaço geograficamente isolado é até os dias de hoje um dos lugares especiais para o país e para o mundo devido à sua importância histórica, cultural e arquitectónica, ainda visível no modo de vida das comunidades.

A ilha foi inscrita na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1991 devido ao seu valor universal e à riqueza do seu património. Nos finais do século XV, com a chegada dos portugueses, a sua importância aumentou, tornando-se um dos principais centros da presença portuguesa na região.

A ilha foi, durante vários séculos, um importante centro político e administrativo e chegou a ser a capital da colónia portuguesa de Moçambique, até à transferência da capital para Lourenço Marques, actual Maputo, em 1898.

Estes elementos históricos justificam o título a “Ilha Nunca Esteve Só”, dado a um livro com textos de pesquisadores, escritores e ensaístas moçambicanos e estrangeiros sobre este lugar histórico, no passado e no presente.

Através de textos que conjugam relatos pessoais e experiências institucionais, a obra destaca a singularidade da ilha, não só pela sua riqueza cultural, arquitectónica e urbanística, mas também como um laboratório para a salvaguarda do património e para a articulação internacional na reconstrução de Moçambique.

Lançada recentemente em Maputo, a obra coloca a Ilha de Moçambique como um espaço vivo onde as comunidades preservam tradições, práticas culturais e modos de vida transmitidos ao longo de gerações.

Ao mesmo tempo, alerta para a importância da preservação patrimonial, sendo esta uma actividade de responsabilidade geral, como defendeu o arquitecto e planeador físico moçambicano Isequiel Alcolete na apresentação na cerimónia de apresentação da obra.

Segundo Alcolete, o legado da Ilha de Moçambique só pode viver quando existe conhecimento e interesse das gerações como um legado que deve ser protegido e não uma realidade incólume das acções humanas e da natureza.

“O património são também as pessoas, é necessário compreender a ilha não só através da sua estrutura arquitectónica ou geográfica, mas também é preciso olhar para as suas comunidades. A preservação sempre dependeu dos seres humanos e estes devem ser mobilizados para o efeito”, destacou.

Para o apresentador da obra, o título da obra pode parecer simples, “A Ilha Nunca Esteve Só”, mas na verdade desconstrói a ideia do estudo desta zona insular a partir dos monumentos e ilustra a importância das comunidades e do bem-estar dela.

“A designação do livro é igualmente uma alusão à investigação colectiva, envolvendo assim universidades nacionais e internacionais, assim como instituições culturais e de preservação do património mundial”, destacou.

Coordenado pela arquitecta brasileira Marcela Santana, o livro destaca igualmente o património e cooperação internacional na Ilha de Moçambique no período pós-independência (1975-1991).

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