F.CUMBE E M.MUCUEIA
HABITAÇÕES feitas à base de blocos de adobe e cobertas de palha, construídas próximo a florestas, caracterizam o dia-a-dia dos residentes da povoação de Tonduè, localidade de Munhiba, distrito de Mocuba, na Zambézia.
Sem mercado, nem postos de trabalho, os residentes desta povoação socorrem-se do que a natureza oferece nas suas florestas, como lenha para a confecção de alimentos e folhas de árvores para produção de medicamentos.
A agricultura, principal fonte de sobrevivência, é praticada também em espaços desbravados, que foram outrora florestas de Tonduè. É de lá onde sai a mandioca, feijão-bóer, milho e hortícolas para consumo e venda.
O chão dos quintais é predominantemente branco e o revestimento é a mandioca processada e estendida em sacos, para secagem e posteriormente triturada ou pilada, na perspectiva de se obter a farinha.
A água é adquirida nas bombas manuais e rios, um dos quais é o Pangune, à entrada da floresta. É neste curso onde se lava a roupa e utensílios domésticos.
Na povoação só pode distinguir um aluno de uma outra criança quando traz livros nas mãos. Trata-se de crianças sem uniforme escolar e muito menos pasta para a conservação do material.
Devido à falta de mercados para a aquisição de produtos diversos, a população adoptou o sistema de intercâmbios em feiras com outras povoações. A cada dia da semana, os feirantes estabelecem-se num determinado bairro, contemplado pelo cronograma das feiras.
Assim, cada povoação tem um dia por semana para aquisição de produtos, evitando percorrer longas distâncias à procura de bens básicos.
Os residentes de Tonduè estão cientes da necessidade de proteger as florestas, para o equilíbrio do ecossistema e contínua obtenção dos benefícios de lá saídos, como plantas medicinais.
Entretanto, admitem a dificuldade cumprir esta necessidade, pois a lenha, por exemplo, é o único combustível disponível e acessível para a confecção de alimentos.


