É inaugurada hoje a 5.ª edição da Residência Artística UPCycles, na Fortaleza de Maputo, reunindo trabalhos de cinco artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) criados a partir de arquivos audiovisuais históricos.
A mostra apresenta obras dos moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, da cabo-verdiana Gilda Barros e da angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto, resultado de dois meses de trabalho à distância e duas semanas de imersão presencial na capital moçambicana.
Mário Cumbana cruza três momentos históricos, o massacre de Mueda (1960), o 7 de Setembro de 1974 e as manifestações de 2024, com base no filme homónimo de Ruy Guerra. Thandi Pinto propõe um arquivo especulativo de Moçambique, humanizando imagens etnográficas. Délfio Muholove cria uma instalação sobre edifícios abandonados em Maputo a partir da pergunta “Que país estamos a construir?”.
Por sua vez, Gilda Barros traz o mar e o sal como elementos centrais, a partir de arquivos da Cinemateca Portuguesa sobre a vida quotidiana em Cabo Verde, com foco nas mulheres. Já Maresa Nzinga Pinto dedica-se às histórias das “Madgermanes”, trabalhadoras moçambicanas contratadas pela antiga República Democrática Alemã, intervindo em arquivos oficiais que, segundo a artista, “reduzem as pessoas a números”.
Na inauguração, o artista visual João Roxo e o beatmaker Nandele Maguni apresentam “Arquivo 16”, uma performance imersiva que combina colagens de vídeo ao vivo com áudios analógicos produzidos no momento.
A residência é promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio do Centro Cultural Franco-moçambicano, da Direcção da Cultura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) / Fortaleza de Maputo, do Camões – Centro Cultural Português e do CIEBA-FBAUL. A edição deste ano recebeu 37 candidaturas.
Diana Manhiça, da AAMCM, citada em comunicado, sublinhou que o projecto “tem já a sexta edição garantida” a partir do financiamento da Gulbenkian. “Agradecemos essa confiança que eles depositam em nós, no conceito e na equipa que produz a UPCycles”, afirmou.
A exposição fica patente até 10 de Maio, com entrada gratuita.



