OS episódios recentes de violência xenófoba na África do Sul levaram muitos moçambicanos que trabalham nas minas e explorações agrícolas a regressar ao país, por forma a obter ou renovar o documento destinado a estas classes.
O aumento da procura pelo passaporte castanho, exigido para a contratação e permanência neste país, reflecte-se nas longas filas registadas, nos últimos meses, nas delegações do Serviço Nacional de Migração (SENAMI).
Na delegação da Matola, por exemplo, foram emitidos mais de 9000 passaportes desta categoria, em dois meses, maioritariamente para trabalhadores interessados em regularizar a sua situação migratória.
O “Notícias” deslocou-se à delegação do SENAMI na Matola, onde encontrou centenas de requerentes nas imediações da instituição. Alguns permanecem no local há vários dias, e outros há semanas, à espera da conclusão do processo.
Os entrevistados, idos das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, suportam diariamente despesas com alimentação, transporte, alojamento e acesso a serviços básicos, enquanto aguardam a tramitação do processo.
Os utentes denunciam um circuito de cobranças que se inicia na fronteira de Ressano Garcia e estende-se às entidades envolvidas na tramitação, onde intermediários prometem facilitar a obtenção, mediante pagamento de valores entre 10 e 30 mil meticais.
Segundo os requerentes, o desembolso destes valores é feito na expectativa de reduzir o tempo de espera, mas muitos continuam sem o documento, mesmo depois de permanecerem vários dias no local.
Foto: S. Manjate