Ricardo Timbe expõe pedagogia do quotidiano

“Murmúrios: Uma Pedagogia do Quotidiano” é o título de uma exposição de pintura do artista plástico moçambicano, Ricardo Timbe, a ser inaugurada quarta-feira (5), no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, com curadoria de Álvaro Fausto Taruma.
A mostra estará patente ao público por cerca de um mês e assinala a primeira exposição individual de Timbe.
“Murmúrios: Uma Pedagogia do Quotidiano” reúne um conjunto de pinturas em que a cor assume um papel quase sonoro: pinceladas largas e líquidas atravessam as telas em faixas de azul, verde e turquesa, e as figuras surgem sempre em diálogo com o espaço que as rodeia, nunca isoladas dele.
É desse cruzamento entre som e imagem que nasce o título da mostra: como explica o curador Álvaro Fausto Taruma, a pintura de Timbe “pede ao olho que faça o trabalho do ouvido”, convidando quem a observa a reconhecer, na vibração da cor, o murmúrio constante da vida comum.
Com esta série, refere a nota da curadoria, Timbe propõe um exercício de atenção que passa de retirar da invisibilidade os gestos mais banais da vida urbana e devolver-lhes o peso e a presença através da cor.
“Não há, nestas telas, grande acontecimento: há permanência, repetição, o mesmo gesto que se refaz todos os dias. Daí a ideia de uma ‘pedagogia do quotidiano’, ou seja, uma aprendizagem que se faz através do olhar demorado sobre o que, por ser comum, tantas vezes deixamos de ver”, destaca, antes de concluir
“A mostra acrescenta assim ao panorama da pintura contemporânea moçambicana uma proposta que dispensa o espectacular em favor do quotidiano, e que trata a cor não como decoração, mas como linguagem, quase uma partitura visual da vida em comum”.

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