ISAÍAS MUTHIMBA
MOÇAMBIQUE celebra, quinta-feira, 51 anos de independência, conquistada na base da unidade nacional, espírito de amor à pátria e sentido de pertença. O combatente Amós Mahanjana faz uma radiografia e confirma que há infiltrados no aparelho do Estado e no próprio partido Frelimo.
Nesta entrevista, Mahanjana admite que o país está numa situação de emergência com a corrupção sistémica e cultura de enriquecimento fácil por parte dos servidores públicos.
Mahanjana, que já foi director da Madeiras de Moçambique e do extinto Departamento de Prevenção e Combate às Calamidades Naturais, embaixador no Malawi e na Tanzania, deplora a actual tendência dos eleitos ou nomeados de se enriquecerem em detrimento do povo. Acompanhe, de seguida, partes da entrevista:
Notícias (Not.): Ingressou na FRELIMO no ano do início da luta armada. Para si, quais foram os factores determinantes para a vitória?
Amós Mahanjana (A.M.): Com a Conferência de Berlim, que determinou a divisão de África, vimos a diferença entre os diferentes colonizadores. Há países africanos que foram dominados por espanhóis, franceses, ingleses e outros, mas o nosso “patrão” saiu da Península Ibérica e trouxe uma política que introduziu sofrimento não vivido pelos demais países à nossa volta. Eles não tinham “chibalo” (trabalho forçado).
Not.: Isso motivou o interesse pela busca da independência. Que passos foram dados?