Chapo defende resgate do sector de caju

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje a necessidade de revitalização do sector do caju, considerando-o estratégico para a reindustrialização do país, geração de emprego e fortalecimento da independência económica nacional.
A posição foi manifestada no lançamento da obra “Economia do Caju em Moçambique: O Contexto das Políticas de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização”, da autoria do académico e político António Niquice, do qual o Chefe do Estado é prefaciador.
Na ocasião, afirmou que Moçambique possui condições para voltar a ocupar posições de destaque na produção mundial da castanha de caju, para além da actual sétima posição.
Segundo o Presidente, a revitalização do sector passa pelo investimento no fomento, investigação, processamento industrial e melhoria dos mecanismos de comercialização.
Defendeu, igualmente, a necessidade de agregar valor aos recursos nacionais, evitando a exportação de matéria-prima sem processamento.
O estadista criticou ainda políticas económicas adoptadas nas últimas décadas, alegando que contribuíram para o encerramento de várias indústrias nacionais, incluindo as fábricas de processamento de castanha de caju.
Durante a cerimónia, destacou que o Governo submeteu recentemente, à Assembleia da República, um conjunto de reformas legislativas, incluindo as leis de Minas, Petróleos e Conteúdo Local, visando impulsionar a industrialização, criar emprego para jovens e mulheres e fortalecer a participação dos moçambicanos na economia nacional.
O autor da obra, o professor António Niquice, defendeu a revisão dos modelos de desenvolvimento económico, considerando que os recursos nacionais devem impulsionar a industrialização e não apenas a exportação de matérias-primas.
Segundo explicou, Moçambique continua a produzir muito, mas retém pouco valor, porque grande parte da castanha de caju é exportada sem transformação.
Recordou que o país já liderou a produção mundial, tal como aconteceu nos anos 1970, quando era o maior produtor mundial, com um nível de produção superior a 200 mil toneladas por ano, mas perdeu espaço devido ao desinvestimento industrial e políticas inadequadas.
Assim, defendeu uma reindustrialização baseada no processamento interno, modernização tecnológica, financiamento, investigação e fortalecimento da cadeia de valor nacional.

Fotos de Félix Matsinhe

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