CARLA MANHIQUE
MOÇAMBIQUE e o mundo assistem a uma propagação crescente do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com principal enfoque na emergente Inteligência Artificial (IA) que vem assumindo destaque em várias áreas do saber fazer, incluindo a academia.
Neste contexto, alguns gestores de diferentes instituições de Ensino Superior entrevistados pelo “Notícias” partilham opiniões divergentes relativamente ao uso desta tecnologia no processo de ensino e aprendizagem.
Entre oportunidades de modernizar o ensino e temores sobre fraude, desinformação e perda de pensamento crítico, a Escola Superior de Jornalismo e a Universidade Politécnica estão a rever os seus currículos, formar professores e criar regras para o uso responsável da tecnologia.
Foram unânimes ao afirmar que a IA veio para ficar no país, contudo, aconselham para que o estudante aprenda a usar a ferramenta, sem descurar o pensamento crítico, de modo a não se tornar dependente.
A Politécnica alerta para risco da “desumanização” do ensino
A VICE-REITORA académica da Universidade Politécnica (A Politécnica), Marisa Mendonça vê com preocupação a entrada em funcionamento da ferramenta da inteligência artificial nas instituições de ensino, alertando para a possibilidade de desumanização na interacção aluno-professor e vice-versa.
“Se o ser humano não se reformar das suas funções e achar que já não tem nada a fazer, então, vamos desumanizar o ensino, aprendizagem e o mundo. Mas, não nos podemos demitir daquilo que são as nossas funções como professores”, afirmou.
Para a gestora, a tecnologia veio para ficar nas universidades, adverte, porém, que o risco não está na tecnologia, mas, em professores e estudantes se demitirem do pensamento crítico e entregarem à IA decisões que só o humano pode tomar.