Fotografia continua agente de lembranças

ARTIMIZA MACHEL

A MEMÓRIA atravessa a fronteira do tempo e de gerações através da acumulação de registos para lembrar dos seus actos, sejam eles individuais ou colectivos, para que o passado seja revivido. A ideia é despertar a atenção da memória, por exemplo através da fotografia, um agente de lembranças e da memória. 

A fotografia, cujo dia se assinalou a semana passada, no dia 19, é um registo visível aos olhos, mas lido na emoção de significados de um determinado tempo e espaço. Segundo a literatura, ela surge em 1839, como uma declaração aberta para qualquer que seja a interpretação, mas que nada muda a verdade expressa. É um registo sem escrita, a forma certa de registar e arquivar para a eternidade e assim perpetuar a realidade do vivido.

Como diz Koury, num artigo intitulado “Fotografia e Memória”, “o passado torna-se uma rede de elementos fixos, presentes e ao alcance das mãos que comprovam o vivido e a vida do sujeito que as vê e as possui”.

Esta reflexão é uma vénia aos profissionais da câmara e da lente, que são actores na valorização da fotografia. É por isso que nós e muitos outros profissionais (e também amadores e entusiastas), preservamos e prezamos esta forma de registo.

A fotografia é um meio de comunicação, que ignora o alfabeto para colher os analfabetos e dar oportunidade aos surdos e activa na mente humana a significação. Por muito tempo, era difícil manipular a verdade trazida por uma fotografia, até à chegada das tecnologias que desaguam nos softwares incorporados, por exemplo, num smartphone.

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