CARLA MANHIQUE
A CRESCENTE acumulação de plásticos, resíduos domésticos e outros materiais no mar está a comprometer os ecossistemas e a reduzir a qualidade da água, prejudicando a actividade pesqueira.
Pesquisadores nacionais e internacionais têm vindo a intensificar os alertas sobre a necessidade de mudança urgente de atitude, devido aos riscos que o descarte de resíduos representa para saúde e meio ambiente.
Pescadores e vendedores ouvidos pelo “Notícias” na cidade de Maputo falam da redução de pescado nos últimos anos e acreditam que a poluição marinha, aliada ao impacto das mudanças climáticas, pode estar na origem do fenómeno.
Na praia da Costa do Sol, por exemplo, os pescadores relatam que ao lançar a rede ao mar, além dos peixes, capturaram também lixo entre garrafas plásticas, copos e pratos descartáveis.
Maurício Cumbane é pescador desde 1986, sendo a actividade a sua principal fonte de sustento da família. Conta que, nos últimos anos, tem notado alterações no mar, devido ao aumento da poluição.
“Antes, nas proximidades, apanhávamos peixe e camarão e agora somos obrigados a deslocarmo-nos até ao alto mar, o que acarreta mais custos”, conta.
Acrescenta que, para as espécies como “magumba” e camarão, chegava a tirar cinco, seis e até 10 caixas, porém actualmente as redes com frequência voltam cheias, não de peixe, mas de lixo.
Questionado sobre o que fazem com os resíduos encontrados, a resposta mostra a falta de estrutura. “Não há recipientes apropriados para colocar o lixo e acabamos deixando no mar. Nos dias em que a água está muito turva, preferimos nem sair porque isso acaba sendo um atentado à saúde”, adverte.
Conta que há zonas já abandonadas por estarem muito poluídas. Nas proximidades da Ilha da Inhaca, por exemplo, em certos pontos, não é possível lançar a rede devido aos resíduos. Em 2023, a comunidade enfrentou uma “praga de peixe”, uma vez que não se pescava.