Moçambique espera contributo de países amigos 

O GOVERNO quer contar com o apoio da comunidade diplomática acreditada em Maputo na contenção dos actos de violência que se registam um pouco por todo o país, em protesto contra os resultados eleitorais. 

Este desejo foi transmitido ontem, em Maputo, pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, no encontro que manteve com representantes de diversos países. 

A ministra referiu que, nos últimos dias, Moçambique está a perder o que foi construindo com o suor dos moçambicanos, havendo, por isso, necessidade de preservar-se tais conquistas. 

No seu discurso, a dirigente explicou que o apoio dos representantes dos países com relações diplomáticas ou amigos de Moçambique deve consistir em auxiliar os cidadãos a conformarem-se com a lei, recorrendo aos órgãos competentes para dirimir litígios. 

“Pedimos aos intervenientes do processo, mas, em particular a vós, nossos parceiros de cooperação, como amigos de Moçambique e dos moçambicanos, para ajudarem-nos no restabelecimento da calma, serenidade e estabilidade”, disse. 

Acrescentou que o Governo espera que o presente processo eleitoral encerre num ambiente de serenidade, civismo e responsabilidade como forma de consolidar o crescimento da democracia e economia. 

Aliás, Macamo disse que o apuramento das sétimas eleições presidenciais e legislativas e das quartas das assembleias provinciais está no Conselho Constitucional para efeitos de validação e proclamação dos resultados, não havendo, por isso, razões para agitação. 

“O discurso do candidato Venâncio Mondlane e seus correligionários criou um ambiente propício para a transformação das manifestações, que são um direito constitucional, em actos de vandalismo, roubo e violência que se propagou um pouco por todo o país e que resultou na morte de pessoas, saques e destruição de infra-estruturas”, explicou.

Relativamente aos assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe, advogado e mandatário do PODEMOS, respectivamente, Verónica Macamo disse tratar-se de crimes bárbaros que devem ser urgentemente esclarecidos. 

“A posição do Governo é que, em vez de se presumir uma ligação destes crimes com as eleições, importante é encontrar o assassino, julgá-lo e puni-lo nos termos da lei para desencorajarmos actos desta natureza no país”, assinalou.

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