Nova forma de tratamento do pé-diabético ajuda a reduzir amputações

O SISTEMA Nacional de Saúde (SNS) está a implementar uma nova metodologia no tratamento do pé-diabético, uma das principais complicações da diabetes mellitus, que afecta mais de três milhões de moçambicanos, a fim de minimizar amputações de membros inferiores.

Segundo o Ministério da Saúde (MISAU), semanalmente, o Hospital Central de Maputo (HCM) realiza seis a sete amputações de membros inferiores em pacientes com diabetes, devido à gravidade das úlceras, situação propiciada por infecções difíceis de tratar e insuficiência vascular.

Neste contexto, o MISAU, em parceria com a Clínica Marcelino dos Santos e a Cooperação Cubana está a promover, desde semana finda, uma formação sobre o tratamento do pé-diabético e uso do Herberprot-P, fármaco com mais de 70 por cento de eficácia e aprovado pela Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento, IP.

No curso participam 30 profissionais, nomeadamente cirurgiões e ortopedistas do HCM, hospitais gerais José Macamo e Mavalane, bem como o Provincial da Matola. Há previsão de expandi-lo a outras regiões.

Falando ontem em Maputo no lançamento da nova abordagem de tratamento para o pé-diabético, o ministro da Saúde, Ussene Isse, destacou que o fármaco apresenta um factor de crescimento epidérmico que acelera a cicatrização.

“Por isso, quero lançar um desafio aos colegas que lideraram este processo. Vamos iniciar uma pesquisa operacional para saber que respostas teremos com a introdução deste medicamento, pois está comprovada a sua eficácia ao nível mundial”, disse.

O director do Departamento de Cirurgias do HCM, Atílio Morais, explicou que o tratamento consiste na aplicação de injecções nas feridas, que ajudam na regeneração dos tecidos e actuam para a sua cicatrização num período de quatro a seis semanas, minimizando a infecção e o risco de amputação.

Enquanto isso, o director clínico da Clínica Marcelino dos Santos, Adriano Tivane, reconheceu que o tratamento da diabete representa um custo elevado para o país e doentes.

Neste contexto, garantiu que a instituição que dirige pretende encontrar parceiros que subsidiem a assistência, para que não haja custos directos para o paciente.

Por sua vez, Henry Jiménez, representante da Cooperação Cubana em Moçambique, apontou que o Herberprot-P, desenvolvido em Cuba é utilizado no tratamento da diabetes em vinte e quatro países, incluindo africanos.

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