De pouco serve uma boa ideia se o realizador não souber “falar a língua” dos financiadores. Esta tese foi defendida esta terça-feira pelo produtor moçambicano, Fábio Ribeiro, um dos formadores do FilmLab Moçambique, que arrancou ontem na Universidade Pedagógica, em Maputo, com seis jovens cineastas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Para o produtor, a FilmLab norteia-se por um objectivo claro: transformar talento bruto em projectos financeiramente viáveis para o mercado internacional.
Os seus projectos de curta-metragem abordam direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais – temas que, segundo Ribeiro, podem abrir ou fechar portas consoante o fundo a que se candidatam.
O produtor sublinhou que o trabalho dos formadores não se limita a “ensinar a pedir dinheiro”, mas sim a preparar os jovens para um ecossistema competitivo.
Ribeiro, que produz cinema em Moçambique há mais de duas décadas, reconheceu que o país tem assistido a um crescimento significativo do número de jovens interessados na sétima arte, mas alertou que o entusiasmo, por si só, não basta.
“Nos últimos 20 anos, vi gradualmente o número de pessoas envolvidas no cinema a crescer em Moçambique. Vejo isso como uma oportunidade, uma oportunidade de democratizar o cinema”, disse.
“Mas desenvolver um filme é um longo processo (…). Quem investe num filme sabe que está a investir normalmente anos da sua vida”.
A formação decorre até 5 de Setembro, na capital moçambicana, sob coordenação da realizadora cabo-verdiana, Samira Vera-Cruz, e recebeu os moçambicanos Assane Ramadane, Mateus Nhamuche, Melissa Lemos, Américo Júnior e Janado Cher, e a são-tomense Jéssica Lima.
Foto: Mário Cumbana