ESTA semana, Maputo acolheu a Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, evento que se propunha reflectir sobre o país que pretendemos ser daqui em diante, sem descurar as boas experiências do passado.
Aspecto positivo foi o facto de a maior parte dos mais de 500 participantes, entre representantes do Estado e do Governo, académicos, sociedade civil e parceiros de cooperação, ter ideias convergentes quanto ao caminho a trilhar.
É que num cenário de procura de aceleração do crescimento económico, redução das desigualdades e resposta aos efeitos das alterações climáticas, torna-se indispensável pensar estrategicamente no desenvolvimento nacional.
Não restam dúvidas que os últimos 25 anos demonstram que Moçambique foi capaz de construir bases importantes para o seu crescimento, desde a consolidação da paz, saúde, educação à descoberta de importantes recursos naturais, mormente o gás natural, na bacia do Rovuma, apenas para citar alguns exemplos.
Na verdade, entre os anos de 2000 e de 2025, Moçambique deixou de ser o país de que se fala para ser um país com o qual a generalidade da comunidade internacional quer ter de perto, apetência motivada por dois factores.
O primeiro atractivo tem a ver com a estabilidade política. Parecendo que não, tirando o terrorismo na província de Cabo Delgado, Moçambique é um dos exemplos, pelo menos em África, de países confiáveis, sem querer com isso dizer que está tudo bem; nada disso. Houve e continuará a haver desentendimentos entre os moçambicanos, mas estas diferenças são rapidamente ultrapassadas através do diálogo.
O segundo factor tem a ver com a descoberta de recursos naturais importantes, particularmente no sector energético, onde se destacam o gás natural e carvão mineral, para não falar de minérios de grande valor no mercado, a exemplo de rubis e areias pesadas, bastante úteis para a indústria tecnológica.
Ainda assim, há muitos constrangimentos por ultrapassar para que o país trilhe, de facto, os caminhos do desenvolvimento que se deve traduzir na melhoria das condições de vida das pessoas.
Nesta perspectiva, sentar-se à mesa para reconhecer que há problemas e propor soluções para a sua superação, o que aconteceu na conferência, é para nós um passo importante para o objectivo final que é o desenvolvimento inclusivo e sustentável.
Contudo, mais do que mostrar caminhos, o importante é a persistência e determinação. Por outra, Moçambique precisa de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, que independe do Governo do dia; uma estratégia de implementação obrigatória para quem quer que esteja no poder. Podem mudar os caminhos para chegar lá, mas o objectivo permanece o mesmo.
É neste contexto que concordamos com a visão do Chefe do Estado segundo a qual cada geração recebe um país ainda por concluir e tem a responsabilidade de o tornar melhor, antes de o transmitir às gerações seguintes.
Dito isto, não há dúvidas que Moçambique dispõe de recursos naturais, capital humano e localização estratégica para consolidar um modelo de crescimento mais inclusivo e resiliente, mas o mais importante é perseverança no objectivo.