INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE: Tecnologias verdes transformam desafios em oportunidades

EDÍLIA MUNGUAMBE

INICIATIVAS de produção de carvão ecológico, biogás e soluções de saneamento estão a beneficiar comunidades e a promover alternativas energéticas sustentáveis no distrito da Manhiça, província de Maputo.

O projecto é desenvolvido pela startup Biomotta-Consultoria e Serviços, com o objectivo de promover o desenvolvimento socioeconómico e ambiental, através do estabelecimento de boas práticas como reciclagem e valorização orgânica dos recursos energéticos.

Para o caso do carvão, ele é 100 por cento de origem ecológica, obtido através da transformação de resíduos sólidos como bagaço de coco e da cana-de-açúcar, papel, cascas de amendoim, arroz e serradura da madeira.  

Ele pode ser fabricado a partir de três resíduos nomeadamente: casca de amendoim, papel e água. Primeiro, a casca de amendoim passa por um processo de combustão, através da queima controlada e, depois, é misturada com água e papel até aglutinar, gerando uma pasta de cor preta.

Já com a massa pronta, é dividida em pequenas quantidades num recipiente, onde assume um formato arredondado. Findo este processo, o carvão é colocado a secar ao sol. Quanto maior for o calor, mais rápida será a secagem.

Mais de 350 famílias já foram abrangidas pelo projecto. Angelina Mula, 55 anos, é exemplo dos beneficiários. Ela destacou as potencialidades do carvão por ser limpo, duradoiro, com pouca produção de cinza e económico, sob ponto de vista de quantidades usadas na confecção de alimentos.

À semelhança de Angelina Mula, Marta Simbine, 66 anos, também descobriu as vantagens decorrentes do uso do carvão ecológico, tendo em conta que poupa cerca de 700 meticais mensalmente, valor que gastava na aquisição do carvão vegetal.

Um dos resultados desta iniciativa é a capacidade de os próprios beneficiários partilharem os conhecimentos adquiridos com outras famílias, uma disseminação espontânea que demonstra o interesse das comunidades pela solução e amplia o alcance da iniciativa para além das pessoas directamente capacitadas.  

Segundo Michaque Mota, fundador da empresa, apesar de o projecto estar actualmente concentrado no distrito da Manhiça, existem perspectivas de expansão para outras áreas.

Revelou que já foram iniciadas conversações com o Conselho Municipal de Maputo para uma possível implementação no Distrito Municipal KaMaxaquene, com enfoque em bairros como Chamanculo, Mafalala e Polana-Caniço.

“A expectativa é que a experiência desenvolvida na Manhiça possa ser replicada noutras comunidades, permitindo que mais famílias tenham acesso a soluções energéticas alternativasˮ, frisou.

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